23-07-2019

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Quanto Vale Um Museu?

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Numa altura em que a polémica está aberta relativamente à intenção de criar o Museu das Descobertas em Lisboa, o ZibiLocal aproveitou a deixa e partiu também à descoberta... de museus. Não pondo em causa a pertinência de um museu sobre o tema dos Descobrimentos, quisemos avaliar se tudo está a ser feito para potenciar os museus que hoje existem na capital e encontrámos dois exemplos que ilustram a ideia de que há trabalho para fazer em cima do que hoje existe


O primeiro é o Museu Nacional do Azulejo, um espaço riquíssimo que tem vindo a ter um acréscimo de visitantes de ano para ano. Estivemos lá recentemente e dá para perceber que é um museu bastante procurado pelos turistas. A fila à entrada é sinal disso mesmo, sendo o português uma língua rara entre os visitantes.

O museu está modernizado e tem um café/restaurante à entrada que faz aumentar ainda mais as receitas, até porque a concorrência nas redondezas praticamente não existe. Justamente, o problema aqui não é o museu, mas a envolvente. A zona que circunda o museu está extremamente degradada e nem as modernas roulottes de comida de rua parecem ter descoberto o potencial que aquele fluxo de gente representa.

O Museu do Azulejo, que existe no Antigo Mosteiro da Madre de Deus, tem tudo para funcionar como um polo de interesse que pode alavancar toda uma zona da cidade que está esquecida e deixada ao abandono. Sinal disso mesmo, a alguns metros dali, o que resta do Forte de Santa Apolónia vai sobrevivendo ao desgaste do tempo e ao abandono. Classificado como Imóvel de Interesse Público, vai aguardando que alguém se lembre de o recuperar e valorizar.

Outro exemplo de desaproveitamento de um espaço é o Museu Nacional do Desporto. Este museu encontra-se situado em zona nobre, na Praça dos Restauradores, e ocupa parte do Palácio Foz. Ou seja, teria tudo para ser um espaço preservado e acarinhado de forma a proporcionar aos visitantes uma experiência agradável. Teria mas não tem.

O Museu Nacional do Desporto acaba por espelhar bem a pouca importância que os sucessivos governos dão à prática desportiva. O museu é pouco mais do que um amontoado de peças de todo o tipo alusivas ao desporto em Portugal, que terão sido doadas àquele espaço e que foram ocupando as vitrinas, sem estarem devidamente valorizadas como mereciam.

Num espaço que deveria convidar à interatividade e à evocação de alguns dos melhores momentos do desporto nacional, a componente mais moderna do museu é, à entrada, um televisor sintonizado no canal Eurosport...

O potencial turístico dos museus é por demais evidente e novos museus serão sempre bem-vindos, mas será que o património museológico que já existe está suficientemente valorizado e aproveitado?

 

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