18-06-2019

A ANÁLISE | OPINIÃO

O Alojamento Local é residual?

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Notícias do Alojamento Local nos últimos meses e últimas semanas têm sido muitas. Já não há quase nenhum meio mais generalista que não fale do tema e nós que temos o foco no AL não podemos deixar de neste artigo nos centrarmos em 2 questões. 


A primeira, a confirmação que o AL é um sucesso, escolhido por milhões de turistas de todo o mundo, que já não é um fenómeno passageiro, não é uma moda e é um tipo de alojamento que responde à vontade das pessoas / consumidores. O Alojamento Local é mundial e uma forma de alojamento de curta duração que tem de uma vez por todas ser aceite pelos responsáveis do turismo, da hotelaria e outros responsáveis.

É uma realidade séria de enorme importância e de modo algum algo residual.

Estão aí os números, para mostrar como o Alojamento Local em paralelo com a hotelaria tradicional está a ter um papel de enorme importância para o país e não acreditamos que será com “operações” legislativas que se vai mudar ou impedir o AL, será o mercado, os consumidores que de forma natural ditarão caminhos. Alguns operadores de AL vão sair, claro, mas muitos irão ficar e continuar, a fazer sempre melhor, enquanto houver turistas que querem ficar umas vezes em AL e outras em Hotel, usando as 2 opções.

A relação SERVIÇO / QUALIDADE / PREÇO tudo indica ser o que faz toda a diferença em qualquer um dos tipos de alojamento, AL e Hotel.

A segunda tem a ver com os números estatísticos do INE publicados na semana passada e referentes a 2017, onde já se inserem dados referentes ao Alojamento Local. Mas que nós não entendemos porquê que o INE só foi ler valores referentes a Als com 10 ou mais camas !!!

Porquê que o INE, com a credibilidade e importância que tem, refere explicitamente no seu relatório, “A oferta de alojamento local em funcionamento traduziu-se em 2 663 estabelecimentos em julho de 2017, que disponibilizaram 66,6 mil camas”.
E colocando em rodapé a respetiva nota: “No Continente apenas com 10 ou mais camas; resultados sem o Alojamento Local na RA Açores por diferente metodologia.”.

Mesmo sabendo nós que o INE tem as suas próprias metodologias de análise, que passam por exemplo por inquéritos às empresas em atividade e daí referir,“ A oferta de alojamento em funcionamento...”, e porque não queremos ficar só pelos dados do INE, fomos cruzar com a base de dados oficial do Turismo de Portugal que é o RNAL.

Esta base porque é pública, o ZiBilocal magazine foi lá simplesmente pedir estatísticas de registos e chegámos a esta conclusão:

Registo de Alojamento Local feitos entre 31/7/2014 e 31/7/2018:

Continente: 59999 registos
Madeira: 2405 registos

* À data deste artigo são: 72217 registos de AL

É óbvio que não estamos a falar de Alojamento Local que oferece só 66 mil camas..., mas sim de mais de 200 mil camas com elevadas taxas de ocupação, em pleno crescimento e com a hotelaria tradicional igualmente a apresentar taxas de crescimento.

Mesmo que destes 62404 ALs, ( Continente e Reg. Aut. Madeira ) alguns não estivessem em total funcionamento, é óbvio que estamos a falar de uma diferença aproximada de 60000 Als para..., 2663 indicados pelo INE. Esta questão já foi inclusive também verificada pela associação do setor ALEP, neste artigo do DN.

Serão VIRTUAIS e RESIDUAIS os atuais 72217 ALs ?

 

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