17-06-2019

A ANÁLISE | OPINIÃO

E Se a Hora Não Mudasse?

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Chegados àquela altura do ano em que o país inteiro fica afetado por um género de mini efeito de jet-lag, com a necessidade de habituação aos dias mais curtos, cabe-nos questionar a real necessidade desta mudança da hora, que de tão tradicional já nem é questionada. E fazemo-lo pela perspetiva do Turismo, afinal um dos motores da nossa recuperação económica, mas não só.


Portugal vende-se em campanhas de divulgação turística como um destino de exceção em matéria de dias de sol. Muitos serão os nossos visitantes que gostariam de ter esta frequência de dias soalheiros, daí virem para aqui recarregar as baterias, como que movidos a energia solar.

Ora, indiferentes a essa realidade, o que é que em Portugal fazemos, numa daquelas especificidades que nos tornam tão singulares? Encurtamos as horas de sol, definindo por decreto que antes das 18h é para ser de noite.

E entram então em vigor os horários de inverno, onde museus e monumentos fecham mais cedo e onde o tempo de lazer ao ar livre acaba por ser encurtado em 1 hora.

Quem quiser aproveitar verdadeiramente a luz natural, terá nesta altura do ano de acordar perto das 7 da manhã, para acompanhar o nascimento do sol, assistindo ao pôr-do-sol próximo das 17h30.

Mas façamos um exercício de ficção científica e imaginemos que a hora não mudava e continuaríamos a acompanhar a evolução natural dos dias de sol. Tomando como referência a cidade de Lisboa, chegaríamos a final de Novembro com o nascer-do-sol às 8h35 e o sol a pôr-se às 18h14, sendo que os dias mais curtos do ano, já em Dezembro, teriam o nascimento do sol pelas 8h51 e o pôr-do-sol às 18h15.

Os dias em que iria amanhecer mais cedo seriam em Janeiro, com algumas pessoas a assistirem ao nascer-do-sol já no trabalho ou na escola, pelas 8h55. Mas regressariam a casa ainda de dia, dado que o Sol se iria pôr próximo das 18h30. A partir daí, com os dias a ficarem mais longos, começaria o nascer-do-sol a acontecer cada vez mais cedo e o Sol a pôr-se cada vez mais tarde.

Voltando ao presente, há outros fatores que poderiam ser analisados, como a questão energética, pela necessidade de consumir mais eletricidade na ausência de luz solar, mas independentemente dos argumentos é um debate que tarda em ser feito, seja por falta de visão estratégica, seja pelo trabalho que dá fazer essa análise. Fica o nosso contributo.

 

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